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O momento mais revolucionário
da arte no mundo

Os comedores de batatas (1895): obra de Van Gogh, o artista mais revolucionário do mundo

Os últimos 150 anos talvez tenham sido os mais revolucionários da arte mundial. É o que conta Franthiesco Ballerini, autor dos livros ‘Poder Cultural’ e ‘Poder Suave’. Professor do curso de ‘História da Arte: do Impressionismo ao Século 21’, Ballerini fala, nesta entrevista, dos pontos de maior ruptura da arte e como eles vão moldar as tendências que virão em seguida. Confira!

Qual foi o primeiro ponto forte de ruptura da arte nos últimos 150 anos?
Certamente foi o pré-impressionismo. Foi o momento em que se derrubou a parede entre o ateliê e a vida real, observando o mundo para esboçar seu tema. Começavam e terminavam suas obras ao ar livre. Toques grossos, curtos, coloridos, parecidos com vírgulas, acrescentavam a energia jovem nas pinturas, refletindo o espírito do tempo.

E de que forma esse período vai influenciar o estilo de artistas como Monet?
Por exemplo, ‘Montes de feno’, contém todos os elementos que tornariam o impressionismo famoso: as pinceladas staccato (rápidas, curta duração), o tema moderno (um porto em funcionamento), priorização de efeitos de luz sobre qualquer detalhe pictórico e a noção predominante de que esta é uma pintura para ser experimentada, não somente olhada.

Para você, quem é o artista mais emblemático deste momento?
Sem dúvida, o maior artista de todos os tempos foi Vincent Van Gogh, já num período posterior ao impressionismo. Enquanto os impressionistas queriam expor a verdade pintando o que viam com rigorosa objetividade, Van Gogh queria ir além. Pintar não só o que via, mas o modo como se sentia em relação ao que via. Começou a distorcer imagens para transmitir suas emoções, exagerando para causar efeito, como um caricaturista. Pintava uma oliveira madura e enfatizava sua idade retorcendo-lhe o tronco sem piedade e desfigurando os galhos até que ela parecesse uma velha nodosa. Depois, acrescentava aqueles grandes nacos de tinta a óleo para acentuar o efeito, transformando uma pintura bidimensional num épico 3D – uma pintura numa escultura.

Mas foi também um momento de movimentos questionáveis, como o Primitivismo, certo?
Sim. O termo primitivismo se relaciona a pinturas e esculturas do século 20 ocidental que copiaram – ou apropriaram – artefatos, talhas e imagens produzidas por culturas nativas antigas. Ele está contaminado com conotações imperialistas, sendo um termo condescendente cunhado por europeus ‘civilizados’ e esclarecidos para se referir à arte das tribos ‘sem instrução’ da África, América do Sul, Austrália e Pacífico Sul.

Que outros momentos o seu curso de ‘História da Arte: do Impressionismo ao Século 21’ traz de curioso?
Acho interessantíssimo entender o Futurismo, por exemplo. O futurismo era cubismo em velocidade, como se vêem ‘Dinamismo de um cão na coleira’, de Balla. Com técnica de composição cubista, querem fundir tempo e espaço numa única imagem. Mas os futuristas queriam provocar reações emocionais inflamatórias, fazer declarações políticas e construir uma tensão dinâmica entre os temas do mundo real descritos em suas pinturas.

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