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As oportunidades do
empreendedorismo cultural no Brasil

O Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo, é um celeiro de empreendedorismo cultural

O empreendedorismo cultural está no DNA do brasileiro e movimenta a vida de 93 milhões de cidadãos. É o que nos conta a especialista Celi Jeronimo. Para ela, a área está cheia de oportunidades e oferece não só caminhos para carreiras sólidas, como também novas formas de aprimoramento de renda e reciclagem profissional. Nesta entrevista, a professora do curso de Empreendedorismo Cultural da Ethos Comunicação & Arte conta cases brasileiros interessantes e explica como seu curso pode aperfeiçoar o estudante para empreender em sua cidade. Confira!

Como você analisa o mercado de empreendedorismo cultural no Brasil e no mundo atualmente?
O Empreendedorismo Cultural, tanto no Brasil quanto no mundo, é um setor vibrante que se consolida como um motor de transformação social e econômica. Apesar dos desafios inerentes a qualquer segmento, o setor demonstra um crescimento constante e um potencial enorme. Não é apenas uma resposta à demanda por entretenimento, mas uma força transformadora que enraíza as comunidades em sua identidade, impulsiona a economia e abraça a inovação. No Brasil, o cenário é particularmente promissor. De acordo com um levantamento do Sebrae, mais de 93 milhões de brasileiros estão envolvidos em atividades empreendedoras culturais, impulsionando a economia e criando impacto social significativo. A força do Empreendedorismo Cultural reside na sua capacidade de promover a cultura em todas as suas nuances. Desde as artes visuais e a música até o artesanato, a gastronomia, a moda e o design, novos negócios surgem a cada dia, impulsionando a criatividade e a inovação.
No cenário global, se destaca como um importante motor de desenvolvimento, impulsionando a diversidade e a inclusão social.

Quais foram seus trabalhos mais gratificantes/desafiadores dentro do universo de empreendedorismo cultural?
Vários foram os desafios que me impulsionaram durante esses anos de atuação no Empreendedorismo Cultural, mas um dos que mais me marcou foi a experiência de colaborar com a maior feira indígena em contexto urbano do ABC Paulista, em parceria com a ONG Opção Brasil. Mergulhar na Cultura Indígena, um dos pilares mais importantes do nosso patrimônio cultural, foi um desafio emocionante. Trazer essa riqueza para o contexto urbano, mantendo a essência, os valores e a tradição, e ao mesmo tempo, inserindo o aspecto comercial de forma respeitosa, foi uma jornada desafiadora e extremamente gratificante. Essa experiência me proporcionou um aprendizado profundo sobre a importância de conectar a tradição com a contemporaneidade, de promover a inclusão e o empoderamento cultural, e de fortalecer o empreendedorismo indígena. Foi um grande passo na minha trajetória profissional e me impulsionou a buscar novos desafios e oportunidades nesse universo tão rico e inspirador.

Você pode nos citar cases que admira de empreendedorismo cultural e por que eles são interessantes?
Como paulista que sou, vou citar alguns lugares que tenho acesso e costumo frequentar em busca não somente de cultura e gastronomia, mas principalmente de aprendizado. O Centro de Tradições Nordestinas, é um ótimo exemplo de como a cultura nordestina se manifesta fora do nordeste, oferecendo uma imersão completa, com gastronomia típica, shows e eventos especiais, como as festas juninas típicas. Acredito ser um dos maiores pólos da cultura nordestina fora da região, contribuindo assim para sua apreciação e preservação. O bairro da Liberdade é um local que celebra a cultura asiática, com arte, artesanato e cultura. Uma região de diversidade cultural em São Paulo contribuindo para o intercâmbio cultural, onde encontramos desde eventos tradicionais, como a Festa do Ano Novo Chinês com toda a sua tradição da dança dos dragões e do leque, à Festa do Tanabata Matsuri que é uma festa folclórica japonesa para celebrar a sabedoria e o desejo de aprimorar suas habilidades. Uma das curiosidades é que durante o festival, é comum escrever seus pedidos em filipetas em tiras de papel colorido e amarrá-los em ramos de bambu (sasa no ha) que simbolizam a purificação. Já a Avenida Paulista aos domingos se transforma em um espaço de cultura, diversidade e inclusão, com eventos e atividades para todos os gostos. Espaço público que promove a integração social e a diversidade cultural, um dos pontos turísticos mais visitados em São Paulo.

De que forma o seu curso na Ethos é importante para quem quer seguir a área de empreendedorismo cultural?
O objetivo principal do curso é o desenvolvimento de um olhar crítico e estratégico, indicando uma análise mais profunda e focada em aplicações práticas, transcendendo a visão simplista do entretenimento. Entender que a cultura é muito mais do que simples diversão, reconhecendo seu potencial comercial, destacando a possibilidade de gerar negócios e oportunidades, sem jamais desconsiderar seu valor intrínseco e sua importância para a sociedade.

Que dicas você daria para quem quer seguir a carreira como empreendedor cultural?
A principal é ser uma pessoa aberta a novas ideias e informações, disposta a aprender continuamente e sem amarras e crenças limitantes impossibilitando sua visão ampla do mundo.

O empreendedorismo cultural é muito volátil a mudanças políticas e econômicas?
Sim, o empreendedorismo cultural é fortemente influenciado por fatores políticos e econômicos, gerando incerteza e dificuldades no planejamento e na execução de projetos culturais. Para mitigar esses desafios, busca a participação na área do desenvolvimento econômico municipal, sugerindo que políticas públicas podem desempenhar um papel crucial no apoio. É importante estar atento a essas dinâmicas para planejar e gerenciar projetos culturais de forma eficaz.

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