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Os pensadores que revolucionaram
a forma como vemos a arte

Tão importante quanto fazer arte é refletir sobre seus modos de produção, com um olhar crítico sobre os mecanismos de empoderamento e apagamento de artistas e manifestações culturais. É o que nos conta Franthiesco Ballerini, autor do livro ‘Poder Cultural‘ e professor do curso de ‘Grandes Pensadores da Arte‘, da Ethos Comunicação & Arte. Nesta entrevista, ele conta como alguns estudiosos mudaram para sempre a visão sobre a produção cultural, apontando violências simbólicas e formas de dominação que são fundamentais para um consumo consciente de produtos de arte e entrenimento. Confira!
Por que pensar sobre os mecanismos de produção artística é tão importante quanto as obras de arte em si?
Por trás de toda produção artística existem intenções nem sempre evidentes na obra em si. Algumas obras de arte e entretenimento escondem traços que geram o que o sociólogo francês Pierre Bourdieu chamou de violência simbólica, e cujos efeitos nem sempre são percebidos pelos consumidores, mas quase sempre são conscientes entre os produtores da obra em si. E podem ter consequências devastadoras para povos, países e culturas.
Você pode dar um exemplo?
A série ‘Homeland’ (2011-2020) ganhou 8 Primetime Emmys e foi um fenômeno no mundo inteiro. No final de uma temporada, o protagonista é sequestrado. No início da temporada seguinte, descobrimos que ele está nas mãos de terroristas que se escondem na maior favela vertical de Caracas, na Venezuela. Trata-se de um prédio abandonado e que foi ocupado por moradores locais. Caracas é uma das capitais mais lindas da América do Sul. A série, no entanto, dá um enfoque quase que exclusivo para este prédio, em tomadas aéreas e reproduções internas. O impacto disso é muito negativo para o país. Pela projeção internacional que a série tem, estas sequências acabam gerando uma enorme violência simbólica, um imaginário de que a cidade – e talvez o país todo – seja um celeiro de terroristas e uma nação despedaçada e perigosa. O resultado direto é, evidentemente, números difíceis de medir, mas com certeza influencia nos números do turismo e da economia da nação.
Que outras obras de grande repercussão mundial também escondem estas formas de violência simbólica?
Tome o maior sucesso de bilheteria dos últimos anos, ‘Barbie’ (2023). Apesar de um discurso de emancipação feminina, por trás, e em todos os detalhes, nós vemos o reforço de um padrão de beleza e estética, calcado em corpos esbeltos de mulheres loiras e brancas, bem como os homens. Os personagens periféricos são, também, as minorias sociais. A obra reforça um ideal de belo que precisa ser desconstruído no imaginário mundial, pois causa um mal enorme em pessoas de diversas idades e culturas no mundo.
Você criou o curso ‘Grandes Pensadores da Arte’ para discutir estas questões com os estudantes?
Sim, neste curso nós trazemos, em cada aula, os pensamentos centrais de nomes que revolucionaram a forma como vemos a arte e o entretenimento. Por exemplo: uma das aulas discutimos a subjetividade do belo com base no trabalho de Arthur C. Danto, justamente para mostrar como a beleza é algo absolutamente relativo a contextos, tempos e culturas. Desta forma, comunicadores, produtores culturais e artistas podem ter uma visão muito lúcida e bastante importante para o momento de consumir e até produzir novas obras artísticas. O norte-americano Douglas Kellner, por exemplo, é fundamental para entender a cultura criada pela mídia e como ela criou padrões violentos de hegemonia, que beneficia poucos em detrimento de muitos, caminhando de obras como ‘Top Gun’ até as músicas de Madonna.
Que outros nomes os estudantes vão encontrar e se surpreender com os pensamentos deles?
O meu pensador favorito é Pierre Bourdieu, que discute justamente a formação do poder simbólico e suas consequências, como a violência simbólica. Mas temos Walter Benjamin e vamos discutir se a aura da obra de arte se perdeu na era da reprodução técnica, e eu atualizo o pensamento dele trazendo os bastidores da criação do Oscar e como foi uma tentativa da indústria cinematográfica de conferir aura a produtos industriais, conferindo ainda mais poder aos seus produtores. E, no final, tudo virou um grande espetáculo no século 21, onde trazemos o Guy Debord atualizado para os tempos das redes sociais e da fragmentação da audiência, numa imposição violenta da imagem e da exposição para se garantir um espaço de sucesso e visibilidade cultural.
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GRANDES PENSADORES DA ARTE

